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Como uma traição fez Boris Johnson desistir de ser premiê britânico

“Boris Johnson, o incapaz”. Foi assim que Michael Gove, ministro da Justiça britânico, taxou seu parceiro de campanha pela saída do Reino Unido da União Europeia (UE) e, em posição de mártir, roubou seu lugar na corrida para ser o próximo chefe de governo. Em uma briga por poder, Gove apunhalou Johnson pelas costas e, em poucas horas, causou mais uma reviravolta no cenário político já incerto do país.

Quando a vitória do Brexit foi anunciada, no dia 24 de junho, o ex-prefeito de Londres e rosto da campanha foi tratado pela imprensa mundial como o “grande vencedor” do referendo. Ao comprar uma briga, que poderia ser mortal para sua carreira política, contra seu colega Conservador David Cameron, Johnson acabou por cima. Ele se tornou a figura favorita para comandar o país durante a saída da UE que tanto pregou. Infelizmente, para Johnson, o rápido fim do reinado veio por meio do ministro da Justiça que foi seu braço direito durante toda a campanha do Brexit e, que apesar de dispor de influência com o alto escalão, não tinha o mesmo apelo popular para conquistar uma nação a sair do bloco.

A traição – Tudo começou a desmoronar nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira, com um telefonema de Gove para Lynton Crosby, chefe de campanha de Johnson, que fazia preparativos finais para anunciar a candidatura dali duas horas. Ao invés de desejar boa sorte, Gove avisou que iria, na verdade, anunciar que também concorreria pelo posto. De acordo com o jornal The Telegraph, o ministro “chegou a pensar” em avisar o aliado diretamente, mas acabou não o fazendo e Johnson ouviu a notícia de terceiros. Aos poucos, seus outros parceiros-chave, como o ministro de Finanças, Nick Boles e o parlamentar Dominic Raab, desertaram para o lado de Gove, e Johnson se viu incapaz de conduzir uma vitória e muito menos um Parlamento, sem apoio. Neste momento, ficou claro para Johnson que Gove, tal como o shakespeariano Conde de Gloucester fez para tornar-se o rei Ricardo III, estava agindo nos bastidores para derrubá-lo.

Naquela manhã, Gove foi a público e anunciou sua candidatura, afirmando que “hesitou muito” em concorrer, mas que estava se sacrificando pelo bem do partido e do Reino Unido. “Eu tive a oportunidade nos últimos dias de analisar se Boris poderia ou não conduzir esse time e construir uma unidade e cheguei, relutantemente, mas firmemente, à conclusão de que, apesar de seus muitos talentos e atributos, ele não é capaz dessa tarefa”, declarou. Ao invés do anúncio planejado, Johnson precisou mudar seu discurso e disse que “após consultar colegas e devido as circunstâncias no Parlamento” concluiu que “não poderia ser essa pessoa” para comandar o país em um novo rumo.

Apesar de insistir diversas vezes que não tinha a intenção de concorrer nas semanas que antecederam o anúncio, Gove pode ter realizado uma jogada de mestre para chegar ao mais alto cargo político do Reino Unido, longe dos olhos do público e daquele que se manteve desavisado a seu lado.

A arapuca – Em 16 de fevereiro, Johnson e Gove se encontraram em um jantar para discutir política. Segundo a rede BBC, na ocasião, o ex-prefeito ainda estava confuso sobre a sua posição no referendo e, inclusive, pendia por defender a permanência e seu amigo de longa data, Cameron. Foi nesse dia que o persuasivo Gove, há anos declaradamente nacionalista, o trouxe para o lado do Brexit. A parceria foi perfeita para o ministro: conseguiu um rosto para convencer o país de seus ideais enquanto ele próprio ficaria livre do desgaste natural provocado pela campanha.

De preferido óbvio, com a chave na porta da residência oficial, Johnson a passou a ser visto como o inocente político derrotado e manipulado pelos amigos. Nesta sexta-feira, quando questionado por repórteres sobre a traição, não conseguiu esconder as amarguras da trapaça: “Eu não posso, infelizmente, continuar com o que eu gostaria de fazer. Então está nas mãos de outra pessoa. Desejo a ele todo sucesso”, respondeu vagamente.

Fonte: Veja

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