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Dólar recua e fecha abaixo de R$ 5 pela primeira vez desde março

O dólar fechou em queda nesta sexta-feira (4), abaixo do patamar de R$ 5, em meio a um cenário externo mais otimista, com os dados de criação de emprego nos Estados Unidos dando fôlego adicional aos mercados.

A moeda norte-americana caiu 2,66%, a R$ 4,9930. É a menor cotação de fechamento desde 13 de março (R$ 4,8127). Na mínima, o dólar chegou a R$ 4,9348. Veja mais cotações.

Na semana, o dólar acumulou queda de 6,44%. Em 2020, no entanto, a moeda ainda tem alta de 24,52%.

O Banco Central ofertou nesta sexta-feira até 12 mil contratos de swap cambial tradicional para rolagem, com os vencimentos divididos entre setembro de 2020 e fevereiro de 2021, destaca a Reuters.

Cenário externo e interno

No exterior, permaneceu o viés mais positivo nos mercados à medida que os investidores se concentram em sinais iniciais de uma recuperação econômica pós-coronavírus com expectativas de que o alívio das restrições retomará a atividade empresarial.

A taxa de desemprego nos Estados Unidos surpreendeu e recuo em maio, após atingir no mês anterior o maior patamar pós-Segunda Guerra Mundial. O indicador, que havia alcançado 14,7% em abril, ficou em 13,3% no mês passado, segundo dados do Departamento do Trabalho divulgados nesta sexta-feira. Participantes do mercado disseram que a leitura foi muito melhor do que a esperada, sinal de que o pior da crise econômica do coronavírus pode já ter passado.

“Investidores acompanham a divulgação de indicadores macroeconômicos, mas mantêm o foco na reabertura das atividades econômicas em vários países”, escreveram analistas do Bradesco. “Além disso, o anúncio da ampliação do programa de estímulos monetários feito pelo BCE ontem ainda traz impulso adicional aos negócios”, completaram.

O Banco Central Europeu aprovou uma expansão maior do que a esperada em seu programa de estímulo na quinta-feira para impulsionar suas economias, ampliando as compras de ativos emergenciais em 600 bilhões de euros, para 1,35 trilhão de euros.

No cenário doméstico, a crise do coronavírus ainda é vista como um dos fatores de maior risco ao país no momento, conforme o número de casos e mortes pela Covid-19 bate seguidos recordes diários e alguns estados começam a reabrir economias, mas sob risco de segunda onda de contágio em meio a um sistema de saúde ainda fragilizado – o que poderia atrasar a posterior recuperação econômica.

As atenções continuaram também nos desdobramentos políticos, com expectativa de possíveis agitações sociais para o fim de semana.

O presidente Jair Bolsonaro voltou a chamar os manifestantes de grupos pró-democracia contrários ao seu governo de “marginais” e “terroristas” nesta sexta-feira, e pediu que as forças de segurança do país atuem contra as manifestações marcadas para domingo se os grupos “extrapolarem” os limites.

Apesar do recuo expressivo do dólar nos últimos dias, analistas não descartam a possibilidade de volatilidade daqui para frente diante também das tensões políticas locais, entre o Executivo e o Judiciário, e nos EUA, em meio a protestos contra o racismo e a violência policial.

Nesta semana, os economistas do mercado financeiro reduziram novamente a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2020, conforme boletim “Focus” do Banco Central. A projeção passou de queda de 5,89% para um tombo de 6,25% no ano.

Já projeção para a taxa de câmbio no fim de 2020 ficou estável em R$ 5,40. Para o fechamento de 2021, subiu de R$ 5,03 por dólar para R$ 5,08 por dólar.

Variação do dólar em 2020 — Foto: Economia G1

Variação do dólar em 2020 — Foto: Economia G1

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