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DST pouco falada gera alerta por resistência a remédios: o que é? Há risco no Brasil?

A bactéria Mycoplasma genitalium (MG) vem chamando atenção dos profissionais de saúde do mundo todo. Recentemente, autoridades de saúde do Reino Unido chegaram a emitir diretrizes sobre a MG a fim de evitar que o micro-organismo se transforme em um caso de emergência da saúde pública em seus países.

O alerta para a MG acontece pelo potencial do micro-organismo se tornar uma superbactéria, uma vez que apresenta alta resistência a antibióticos, e por sua transmissão ocorrer por meio de relações sexuais sem proteção.

Outro fator que acarreta preocupação nos agentes de saúde está nas possíveis complicações que a bactéria pode acarretar ao organismo, especialmente em mulheres.

O que é a Mycoplasma genitalium?

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Mycoplasma genitalium (MG) foi isolada pela primeira vez em 1981, mas apenas recentemente descobriu-se que ela é causadora de uma Doença Sexualmente Transmissíveis (DST). Trata-se de uma bactéria que provoca a infecção da uretra, em homens e mulheres. No corpo feminino, ela pode causar infecção dos órgãos reprodutivos, como útero e trompas.

Apesar do risco de contaminação das vias orais pela MG, principalmente pela prática do sexo oral desprotegido, a bactéria tem poucas chances de se desenvolver nas vias orais humanas. “É pouco provável. Existe a Mycoplasma pneumoniae, que causa a pneumonia, mas aí é outra história”, explica a ginecologista Alessandra Bedin, do Hospital Israelita Albert Einstein.

Sintomas da MG e riscos da doença

Nem sempre a MG apresenta sintomas nos pacientes e muitas vezes pode ser confundida com outras doenças sexualmente transmissíveis, especialmente a clamídia. “As duas são muito parecidas por terem sintomas, complicações e manifestações similares”, diz Alessandra.

Segundo estudo doInternational Journal of Epidemiology, 94% dos homens e 56% das mulheres com a bactéria não sentiram a presença da MG.

Quando a bactéria, contudo, manifesta sinais no corpo humano, ela provoca, em homens, emissão de secreção pelo pênis e dor na hora de urinar.

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Em mulheres, a dor acontece ao urinar e na hora da relação sexual.

Há, ainda, quadros de febre, cervicite (inflamação no colo do útero) e, em casos extremos, infertilidade.

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“Em homens causa apenas uretrite, pela resistência do corpo masculino ser maior, bem como o canal da uretra ser mais comprido, o que dificulta que a bactéria suba”, detalha Alessandra.

“O problema é a mulher. Principalmente, se a MG se aloja nas trompas de Falópio. A cicatrização do local pelo organismo faz com que as trompas se fechem, o que causa a infertilidade.”

Como a MG é transmitida?

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A dificuldade de estudar a MG logo após sua descoberta na década de 1980 impediu a plena compreensão do micro-organismo, bem como sua forma de contágio.

Foi no estudo do International Journal of Epidemiology, entretanto, que aconteceu a confirmação de que a bactéria MG é transmitida por meio de relações sexuais – ou seja, trata-se de uma DST, tal qual a gonorreia, a sífilis, o HIV, a clamídia, entra outras.

Diagnóstico e exames da MG

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Por ser uma infecção assintomática em muitos casos, a MG é diagnosticada, principalmente, em exames de rotina.

Em mulheres, por exemplo, a bactéria pode ser notada no exame de papanicolau. “Neste exame, não se procura o micro-organismo exatamente, mas o HPV. Entretanto, é possível constatar a presença da MG nele”, conta Alessandra.

Quando o paciente apresenta os sintomas da MG descritos pela limitada literatura médica, exames são realizado para averiguar o que pode estar provocando os incômodos.

“O diagnóstico laboratorial está relacionado com o clínico (sinais e sintomas) relatado pelos pacientes. A avaliação laboratorial é feita pela cultura da urina, secreção vaginal (mulher) e uretral (homem), esfregaço endocervical (colo útero), quando há suspeita de infeção profunda (salpingite), e também para investigação de infertilidade”, detalha o ginecologista, obstetra e cirurgião ginecológico Edvaldo Cavalcante.

No relatório publicado pelas autoridades de saúde do Reino Unido, constam pedidos para que a MG seja identificada de forma mais eficaz. Um teste específico para a bactéria existe neste local desde 2017. Entretanto, ele não está disponível em todas as unidades de saúde local.

Onde fazer exame para MG no Brasil?

Aqui no Brasil, ainda não há testes específicos para a MG disponíveis na rede pública do país. Na rede privada é possível realizar o exame laboratorial para averiguar rastros da bactéria.

Atualmente, o Ministério da Saúde trabalha, em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em um projeto que treina e inicia a coleta das amostras da bactéria em unidades de saúde do país – que, posteriormente, serão enviadas para o Laboratório de Biologia Molecular, Microbiologia e Sorologia da UFSC, referência na pesquisa sobre o assunto.

Como se prevenir contra a MG?

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A transmissão da MG, bem como seu desenvolvimento no organismo, pode ser prevenido com o uso de camisinhas (masculinas e femininas) – que, segundo o Ministério da Saúde, é o método mais eficaz para evitar a transmissão de DSTs.

Caso a pessoa tenha vida sexual ativa e mais de um parceiro, é interessante que sejam exames periódicos para avaliar se há infecção pela bactéria. “Quanto maior o número de parceiros, maior o risco de contrair qualquer DST”, explica Cavalcante.

Tratamento

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Os antibióticos seguem como melhor alternativa para o tratamento de quadros infecciosos por MG. Em casos de complicações, o médico pode indicar uma forma diferente de administração dessa medicação, aumentando o número de dias que ele deve ser tomado, por exemplo.

Já em caso de resistência da bactéria ao antibiótico indicado, Alessandra lembra que é possível a realização de um exame chamado antibiograma. “O teste indica qual antibiótico que é resistente à MG. Ele serve para qualquer tipo de bactéria, não só para este caso.”

Por que se preocupar com a MG? Resistência a drogas

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Uma das principais preocupações dos cientistas é a alta resistência da MG a antibióticos.

No Reino Unido, a Associação Britânica de Saúde Sexual e HIV (BASHH) constatou que a erradicação da bactéria após a administração de antibióticos em pacientes é cada vez menor. Segundo a BASHH, a resistência acontece em cerca de 40% dos casos de MG tratados com o antibiótico.

Para a Alessandra, a justificativa para a resistência da MG ao medicamento é o uso desenfreado do produto antibiótico. “Algumas colônias sobrevivem [ao uso excessivo desta droga], o que leva ao desenvolvimento da superbactéria.”

O que se sabe sobre a doença no Brasil?

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Atualmente, a principal incidência da MG acontece na Europa. A estimativa e que 1 a 2% da população mundial tenha tido contato com a bactéria.

No Brasil, ainda não há dados oficiais sobre o número infectados pela MG, principalmente pela falta de notificação compulsória – as secretarias de saúde dos estados e municípios não são obrigadas, ainda, a reportar casos envolvendo o micro-organismo. “Ela acaba sendo tratada como clamídia”, comenta a ginecologista Claudia Serafim, do Hospital Santa Cruz.

Apesar da dificuldade em rastrear a MG, o Ministério da Saúde afirma que a bactéria é bem menos frequente no país, do que outros agentes como N. gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis, responsáveis pela gonorreia e clamídia, respectivamente.

Fonte: msn.com

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