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Justiça manda a júri popular PMs acusados de matar refém e assaltante e de tentar forjar a cena do crime

O Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) mandou a júri popular os policiais militares Gilmar Alves dos Santos e Paulo Márcio Tavares, responsáveis por uma abordagem policial que resultou na morte de Tiago Ribeiro Messias, de 31 anos, e do adolescente Marco Antônio Pereira de Brito, assaltante que o fazia refém, em Senador Canedo, na Região Metropolitana de Goiânia. Os PMs são acusados, além de homicídio, de tentar fraudar a cena do crime para forjar uma troca de tiros.

Por telefone à TV Anhanguera, o advogado dos policiais, Ricardo Naves, disse que vai recorrer da decisão e pedir que ambos respondam em liberdade. Após audiência de instrução, defesa havia dito ao G1 que os PMs cometeram um “erro plenamente justificado pelas circunstâncias”. Ambos seguem em presídio militar.

A pronúncia foi feita em decisão do juiz Thúlio Marco Miranda, da 2ª Vara de Senador Canedo. No documento, o magistrado argumentou que há indícios de que os dois policiais desobedeceram a procedimentos padrões, fizeram uma “abordagem falha” e que um deles tentou alterar a cena do crime.

Os dois policiais vão ser julgados pela morte de Marco Antônio, mas apenas Paulo Márcio vai responder pela morte de Tiago já que, segundo o juiz, o refém foi atingido apenas por disparos feitos por Paulo. “A conduta perpetrada pelos acusados, ao que tudo indica, foi aparentemente excessiva, não encontrando respaldo nas normas que regem a própria instituição militar, tanto que, após verificar que teriam acertado as vítimas”.

“O acusado Gilmar tentou alterar a cena do crime, forjando uma possível situação de troca de tiros quando, na verdade, sequer houve disparos da arma encontrada com a vítima Marco Antônio”, considera o juiz na decisão.

crime ocorreu na noite do dia 25 de novembro de 2017. Tiago foi abordado por um menor na chácara onde morava com a família. Ele foi obrigado a entrar no carro, um VW Gol, e dirigir para o assaltante, que entrou no banco do passageiro. Vítima e ladrão foram encontrados por policiais, que começaram a atirar contra o veículo. O refém e o assaltante foram mortos.

Imagens de câmeras de segurança mostraram policiais militares atirando várias vezes contra o carro. Em seguida, enquanto Tiago é socorrido, as filmagens indicam que os policiais simularam uma troca de tiros e alteraram o local do crime (veja vídeo acima).

Na época, o comandante da PM em Goiás, coronel Divino Alves, já havia admitido que houve “erro na abordagem” por parte dos policiais. “Ele errou e não há dúvida alguma em relação a isso. O procedimento operacional da minha instituição em momento algum coaduna com a atitude adotada por aquele policial”, disse, se referindo a Gilmar, acusado de alterar a cena do crime.

Denúncia

O Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) denunciou os dois policiais, em janeiro deste ano, por duplo homicídio qualificado. A decisão foi diferente do entendimento da Polícia Civil, que indiciou apenas um dos agentes pela morte do homem.

Além da denúncia, o MP também solicitou ao Tribunal de Justiça a conversão da prisão dos dois militares em preventiva para que respondam o processo em regime fechado. Nenhum dos dois responderia pela morte do adolescente de acordo com o indiciamento da Polícia Civil, que considerou a ação como legítima defesa.

O promotor Leandro Murata esclareceu que os dois policiais tiveram participação nas duas mortes. Ainda segundo ele, não há possibilidade de alegar legítima defesa na morte do adolescente.

“Na visão do MP os dois concorreram para a prática dos homicídios com recursos que impossibilitaram a defesa das vítimas. Segundo a perícia, o menor teve 20 perfurações de arma de fogo e a arma dele não tinha mancha de sangue”, afirmou.

Comoção

esposa da vítima questiona o motivo do marido ter sido baleado. Logo após o marido ser levado pelo assaltante, a mulher conta que ligou para o 190 e descreveu a situação.

“Eu só quero saber: Por que atiraram nele? Uma vez que eu descrevi claramente como ele era, qual era a situação. Ele levou um tiro no peito. Eu liguei pedindo um socorro, e não para que matassem ele. Eu estou com um filho que não está conseguindo dormir à noite, ele treme a noite inteira. A minha filha está revoltada porque colocaram na mídia que ele era bandido”, afirmou.

Fonte: G1

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