Young caucasian woman palpating her breast by herself that she concern about breast cancer. Healthcare and breast cancer concept

Mulheres jovens também precisam se atentar ao câncer de mama

Neste Outubro Rosa mastologista esclarece cuidados que elas precisam ter desde mais novas

Uma análise do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), com base em registros do Painel-Oncologia, identificou mais de 108 mil diagnósticos de câncer de mama em mulheres com menos de 50 anos no Brasil entre 2018 e 2023. Na faixa etária entre 40 e 49 anos foram registrados 71.204 casos, enquanto outros 19.576 ocorreram entre mulheres de 35 a 39 anos. No total, as mulheres com menos de 50 anos corresponderam a aproximadamente um terço dos diagnósticos registrados no levantamento.

Os números reforçam que, embora o risco de câncer de mama aumente com a idade, a doença também pode ocorrer em mulheres mais jovens. O mastologista Wellington Souza, que atende no centro clínico do Órion Complex, em Goiânia, destaca que é importante que as mulheres conheçam suas próprias mamas. “Eu oriento minhas pacientes a conhecerem suas mamas. Elas podem fazer o autoexame regularmente, não como uma forma de rastreamento ou diagnóstico do câncer, mas principalmente para conhecer o que é normal para o próprio corpo e conseguir perceber quando alguma coisa mudou”, afirma.

Se alguma alteração for encontrada, deve-se procurar um mastologista para avaliação. Entre os sinais que merecem atenção apontados pelo especialista estão o aparecimento de um nódulo novo, uma área endurecida ou diferente do restante da mama, mudança na textura da pele, vermelhidão persistente, retração da pele ou do mamilo e saída espontânea de secreção pelo mamilo, principalmente quando sanguinolenta.

“É importante lembrar que uma dessas alterações não significa necessariamente que seja câncer. Muitas alterações nas mamas, principalmente nas mulheres mais jovens, são benignas. O importante é não ignorar uma mudança nova ou persistente e não tentar acompanhar ou diagnosticar a alteração sozinha. O diagnóstico precoce aumenta as possibilidades de tratamento e pode fazer uma grande diferença na evolução da doença”, ressalta o médico.

Redução do risco
Wellington Souza explica que não existe uma maneira de eliminar completamente o risco de câncer de mama, mas algumas escolhas ao longo da vida podem reduzi-lo. “O excesso de peso, o sedentarismo e o consumo de bebidas alcoólicas estão associados ao aumento do risco. Por outro lado, praticar atividade física regularmente, manter um peso adequado, não fumar e moderar ou evitar o consumo de álcool são atitudes importantes para a saúde e que podem contribuir para a redução do risco de câncer”, explica.

O mastologista ressalta ainda que mesmo jovem e sem histórico familiar pode-se desenvolver a doença. “A maioria das mulheres que desenvolve câncer de mama não tem uma história familiar importante. Ter casos da doença na família pode aumentar o risco, especialmente em determinadas situações, mas apenas uma parcela dos cânceres de mama está relacionada a fatores genéticos ou hereditários”, esclarece.

Alguns fatores relacionados à história reprodutiva também estão associados ao risco da enfermidade, como não ter tido filhos ou ter a primeira gestação após os 30 anos. “Isso não significa que adiar a maternidade cause câncer de mama. Estamos falando de fatores associados ao risco, e não de uma relação direta de causa e efeito. O desenvolvimento da doença envolve uma combinação de diversos fatores, muitos deles fora do controle da mulher”, pontua.

Segundo o médico, é importante não transformar a prevenção em uma lista de regras, pois a maioria das mulheres que desenvolve câncer de mama não fez necessariamente algo “errado”. “A mensagem principal é que a mulher jovem não deve ter medo do câncer de mama, mas também não deve achar que ele é uma doença exclusivamente de mulheres mais velhas. Conhecer as próprias mamas, manter hábitos saudáveis e procurar avaliação médica quando surgir alguma alteração são cuidados que devem fazer parte da atenção à saúde desde cedo”, conclui.

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