Para representantes do comércio em Goiás, expectativa é de queda em 50% nas vendas do Dia das Mães

O Dia das Mães é a segunda data mais lucrativa para o comércio depois do Natal. No entanto, as expectativas para este ano não são animadoras. Com o fechamento de grande parte dos estabelecimentos comerciais por decorrência da pandemia de Covid-19, a projeção é prejuízos.

De acordo com Marcelo Baiocchi, presidente da Federação do Comércio do Estado de Goiás (Fecomércio), a previsão é de queda de pelo menos 50% nas vendas em relação ao ano passado. Segundo ele, a retração será muito significativa. “Com essa situação de isolamento, comércio fechado, shoppings e região como a da 44 fechados, além das pessoas com medo de saírem, acaba influenciando a situação e nos deixando com a expetativa muito ruim”, falou ao Jornal Opção.

Ele explica que, embora os comerciantes estejam tentando inovar, quem já não estava em plataformas de e-commerce encontra muitas dificuldades de entrar nesse ambiente, ainda mais com as portas físicas fechadas. “A grande maioria das micro e pequenas empresas estão nessa condição de não ter uma plataforma eletrônica forte de vendas e tendo que se adaptar nesse momento de isolamento”, disse.

Na opinião de Baiocchi, para as lojas de shoppings centers a situação é ainda pior. “O shopping tem os limitadores pela própria dificuldade do cliente chegar até a loja. Ela normalmente vende para um público passante, já que o próprio shopping é o atrativo do cliente. Então, são lojas que carecem de comércio eletrônico, não existiam. As lojas de shopping fechadas têm uma dificuldade muito maior de alcançar os clientes”, observou.

Para driblar o coronavírus, lojistas de shoppings têm buscado alternativas para continuarem vendendo, mas os danos são inevitáveis. “O drive thru é um sistema apenas de entrega da venda. O delivery é uma forma mais eficaz. As lojas estão tentando por meio da sua carteira de cliente, por telefone, mensagens e redes sociais, chegar até o cliente e realizar a venda. A possibilidade do drive thru ajuda porque o cliente pode entrar no shopping, receber sua compra e ir embora sem descer do carro. O que ainda cumpre com as normas que estão vigentes. Mesmo com essas alternativas, com a soma de tudo, ainda vai dar 50% de queda em relação ao ano passado”, lamentou.

Para ele, é difícil prever quando a crise deve acabar. “Quando se pergunta a especialistas infectologistas quando isso irá passar, nem eles são precisos. Já ouvi respostas que vão de junho até setembro. Mas uma coisa é certa: vamos conviver por um bom tempo com o coronavírus”, sentenciou. Por isso, ele vê a necessidade de inovar. “Precisamos encontrar formas de conviver com a doença sem deixar que as atividades econômicas parem de funcionar e com segurança”, opinou.

Reinvenção

De acordo com Baiocchi, a pandemia é um divisor de águas para atividades como o comércio. “A mudança já está em andamento. Daqui para a frente nenhuma atividade será a mesma. Há a necessidade de se investir em segurança epidemiológica. Vamos ter que conviver com máscaras e álcool em gel. Será um instrumento de trabalho de todas as atividades econômicas. Daí para a frente, a parte comercial está se adaptando a uma nova realidade”, ponderou.

“Bares e restaurantes passaram a fazer delivery por meio de aplicativos, comércios estão atuando com delivery e assim é um caminho sem volta. Mesmo quando pudermos funcionar, não deixaremos de atuar com a experiência de venda eletrônica que nós adotamos”, pontuou Baiocchi.

Presidente do Sindicato do Comércio Varejista em Goiás (Sindilojas), Eduardo Gomes contou que se reuniu nessa última semana com a administração municipal e que o prefeito Iris Rezende se mostrou bastante sensibilizado com a situação do comércio. Entretanto, com as previsões de aumento de contágios pela Covid-19 na capital, ainda não se sabe ao certo quando tudo estará normalizado.

“Os shoppings estão fazendo ações promovendo o delivery e drive thru, mas isso não vai atingir a todos, apenas aqueles comerciantes que têm estrutura. A empresa, tendo um bom cadastro, faz contato e consegue vender algum produto de Dia das Mães. Mas a expectativa da Confederação Nacional do Comércio (CNC) é de uma queda de 50% a 60% em relação ao ano passado”, avaliou.

“Alguns lugares estão completamente fechados, como em Belém e Manaus, que já entraram em lockdown. A tendência é que a queda ainda seja maior que os 60%”, disse Eduardo. E ele concorda que  a experiência exigirá uma reinvenção por parte dos comerciantes. “Os tempos nunca mais voltarão. Voltará novos tempos, virão novos hábitos. O que está ocorrendo aí com as lives, os cantores tendo acessos de milhões de pessoas, antes só ocorria presencialmente. Então vai tudo mudar mesmo”, observou. “Quem está aprendendo a vender pela internet está conseguindo aos pouquinhos. Quem começou deve continuar com isso. Então teremos uma mudança radical no mercado.”

Desemprego

Segundo Eduardo, apesar dos empreendedores poderem recorrer à criatividade, é preciso estar preparado para os impactos da pandemia no comércio. “O mercado presencial não vai deixar de existir. Minha preocupação maior é com emprego. Se eu tenho uma lojinha comercial, por menor que ela seja, se ela tem que ficar fechada por mais de seis meses e dando conta dos custos, ele pode até ficar. Vai começar do zero, obviamente. Mas e os empregados, aqueles que foram demitidos?”, indaga.

Ele lembra da medida provisória do governo que autoriza o rompimento dos contratos de trabalho por dois meses, mas avalia que ela não chega a todos os trabalhadores. “E aqueles que não fizeram acordo e não terão condições de voltar? E os CNPJs que irão morrer? São situações que a gente não sabe muito o que vai acontecer”, argumenta.

Para ele, a manutenção do comércio pela internet é importante, mas mesmo assim, os lucros estão muito aquém daqueles do empreendimento aberto. “Esperávamos para este Dia das Mães 10% a mais que no ano passado e vem essa bomba e nos pega. Segundo a CNC, do dia 15 de março até o dia 18 de abril a perda foi de R$86 bilhões. É muito dinheiro que deixamos de movimentar no comércio”, falou.

Eduardo vê com pessimismo os próximos meses. Para ele, não há expectativa de normalização do comércio tão cedo. “Essas quarentenas servem para ganhar tempo. Estamos na expectativa de um milagre por um ponto final nisso aí para a gente voltar à vida”, disse.

Fonte: Jornal Opção

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