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PMs viram réus por morte de três funcionários de fazenda em Cristalina

A Justiça de Goiás aceitou a denúncia realizada contra os policiais militares envolvidos na ação que deixou três trabalhadores rurais mortos em uma fazenda de Cristalina, no Entorno do Distrito Federal. De acordo com o Ministério Público de Goiás (MPGO), os agentes Bruno Martins Barros, Angelo Máximo Morais Lacerda e Reginaldo Matos Lima vão responder por homicídio dupla e triplamente qualificados.

Todos os três policiais são lotados no 3º Pelotão da Segunda Companhia de Patrulha Rural irão responder pelo processo. O g1 entrou em contato com a Polícia Militar por um posicionamento sobre o caso, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

A denúncia foi recebida pelo Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJGO) no dia 25 de abril, mas só foi divulgada pelo Ministério Público nesta quarta-feira (11). Conforme a decisão que aceitou a denúncia do órgão, os policiais devem responder pelos seguintes crimes:

  • homicídio qualificado por motivo torpe e uso de recurso que impossibilitou a defesa contra duas das vítimas;
  • homicídio triplamente qualificado contra a outra vítima (além de motivo torpe e emprego de recurso que impossibilitou a defesa da vítima, o crime foi praticado para assegurar a ocultação ou a impunidade de outro crime).

Ao receber a decisão, o MP explica que o juiz determinou:

  • suspensão das atividades públicas policiais dos acusados;
  • suspensão da pode e do porte de armas de fogo corporativas;
  • suspensão da aquisição, posse e porte de armas de fogo pessoais.

O não cumprimento de tais determinações pode fazer com que os três policiais sejam presos de forma preventiva. A Polícia Militar já havia afastado os policiais de suas atividades operacionais “enquanto perduasse o inquérito policial”, no dia 7 de dezembro de 2020.

Mortes em fazenda

O caso aconteceu no dia 25 de novembro de 2020. Durante a ação, morreram Francisco da Silva Chaves, de 41 anos, Nelson da Silva Cardoso, de 38, e Aleff Nunes Souto, de 22.

O Ministério Público explica que, na ocasião do crime, os funcionários que trabalhavam na Fazenda Cerro Largo, saíram para olhar uma armadilha de javalis. No entanto, no mesmo dia, a equipe policial foi comunicada sobre um possível furto de gado naquela região.

A peça acusatória explica que, durante o trajeto, os policiais andaram pelo local com os faróis, sirene e giroflex desligados. Ao encontrarem os fazendeiros no meio do caminho, com uma gaiola (armadilha para javalis) e um javali sem a cabeça na mão, os agentes efetuaram os disparos.

Na época, parentes e amigos das vítimas fizeram um protesto pedindo justiça pela morte do trio. Eles fizeram uma carreata que passou pelos principais pontos da cidade.

Uma das proprietárias da fazenda, que preferiu não se identificar, afirmou que os funcionários nunca tiveram qualquer problema, eram pais de família e profissionais dedicados. Ela acredita que eles estavam “no lugar errado, na hora errada”.

Policiais viram réus

No boletim de ocorrência, os policiais narraram ter efetuado, ao total, 43 disparos. Na época, o advogado que representa o trio, José Patrício Júnior, disse que a quantidade é considerada normal para situações como essa.

A denúncia realizada pelo Ministério Público ainda afirmou que, “para forjar um confronto inexistente, os denunciados dispararam com as armas de fogo que as vítimas usavam para a caça de javalis contra a viatura policial”.

Em nota divulgada no dia posterior ao crime, a assessoria da PM informou que, ao checar uma situação de roubo na região, “se deparou com indivíduos armados que fizeram disparos em direção aos policiais, vindo a atingir a viatura, e que, neste momento, desembarcaram e fizeram o revide”.

Fonte:G1

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