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Em seu auge como jogador, Cruyff chegou a fumar 20 cigarros por dia

“Eu tive dois vícios na vida: fumar e jogar futebol. O futebol me deu tudo, e o cigarro quase jogou tudo fora”.

Cruyff, o gênio holandês dos gramados que agora joga contra um câncer de pulmão, acostumou-se a repetir as palavras acima desde que virou garoto-propaganda da luta contra o tabagismo em 1991. Precisou passar por uma cirurgia cardíaca e ouvir os apelos da mulher, Danny Coster, para largar o cigarro.

Aos 12 anos, Cruyff viu o pai morrer por conta de um problema cardíaco, mas isso não o impediu de começar a fumar ainda muito jovem. E a fumar durante toda a sua gloriosa carreira.

No Ajax, berço esportivo de Cruyff e embrião do lendário Carrossel Holandês, são várias as histórias envolvendo o célebre camisa 14 e o cigarro. Há até foto dele segurando o troféu da Copa dos Campeões ao mesmo tempo em que segurava um cigarro.

Revolucionário dentro e fora de campo, Cruyff tentou esconder seu vício mais nocivo no Ajax, mas isso era impossível, tanto que ele criou o hábito de fumar nos intervalos das partidas e logo depois do banho após os jogos.

Certa vez, Rinus Michels, o mítico treinador que colocou o futebol total em evidência, viu Cruyff fumando no ônibus. O técnico se aproximou de seu craque, ficou na frente dele, e Cruyff tentou esconder o cigarro no bolso. Dois minutos se passaram, e a mão do craque acabou queimada.

Quando virou de vez uma estrela global, especialmente após chegar ao Barcelona, Cruyff já pouco se importava com a imagem de esportista fumante. Em seu auge como “atleta”, chegou a fumar 20 cigarros por dia.

Logo após realizar seu primeiro jogo pelo Barça, acendeu um cigarro no túnel que levava aos vestiários. Voltou a aparecer com um cigarro depois do banho. Era uma forma de mostrar de cara na Espanha que aquele hábito não seria abortado, muito ao contrário.

Com o parceiro Rinus Michels no comando do Barcelona, ele se sentiu em casa e ainda mais livre para fazer o que queria. O único técnico que ousou confrontar a liberdade de Cruyff e seu tabagismo foi o alemão Hennes Weisweiler. Por isso ele perdeu o emprego após só uma temporada no Barça. “Weisweiler não é o técnico da minha escolha”, definiu Cruyff.

O melhor jogador da Copa de 1974 já tinha dado boas demonstrações naquele Mundial de sua visão mais liberal e despojada. Mesmo numa atmosfera pesada em que várias equipes se enclausuravam em concentrações com extrema segurança, a Holanda, liderada por Cruyff, abria as suas portas, em especial para as famílias dos jogadores, e vivia em clima descontraído.

Um tabloide alemão até destacou a presença de garotas de programa e festas animadas na “concentração” da Holanda, o que quase colocou em risco o casamento de Cruyff. Ele negou sempre qualquer participação em orgias e até decidiu não ficar muito mais tempo longe de sua família (não jogou a Copa de 1978 na Argentina, decisão polêmica cheia de versões, como a de boicote por razões políticas e a de desacordos financeiros).

Quando virou treinador, Cruyff passou a fumar ainda mais. Não por ser chefe ou por dirigir seu amado Barcelona, mas porque o estresse da profissão contribuía para seu vício.

Indagado na época sobre o que ele, como treinador, pensava de jogadores fumantes, Cruyff defendeu a si mesmo: “Se eles forem bons como eu era, eles podem fazer o que eles quiserem”.

Pouco tempo depois, o ateu Cruyff precisou escolher entre a vida e o cigarro. “Eu não fumei nunca mais porque me falaram que eu morreria se eu continuasse fazendo isso”, falou ele em 1991, já servindo a campanhas contra o tabagismo e já trocando cigarro por pirulito na boca.

O Barcelona ganhou nova vida com o novo Cruyff, arquiteto do Dream Team campeão europeu de 1992 (e mentor de Guardiola), e também abraçou a causa de seu mais simbólico ídolo. Desde os anos 70 o Barça sente a influência forte de Cruyff. Ele ajudou a moldar o estilo e as posições mais libertárias do clube. Romário, treinado pelo holandês, usufruiu muito dessa visão mais aberta de futebol e vida. Emérito frasista, Cruyff sempre entendeu bem os craques e seus vícios.

Fonte: Folha de S.Paulo

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